A carta
Um novo dia nascia na pequena cidade que dava lar a Cindy, uma jovem menina de marcantes olhos castanhos e um lindo sorriso. A claridade que entrava pela janela de seu quarto a fez acordar aos poucos. Ao abrir os olhos Cindy se colocou olhando para o teto, provavelmente encontrando um motivo para se levantar. Em meio aos seus pensamentos – nada motivadores – Cindy ouviu a porta de seu quarto se abrindo revelando a imagem de sua mãe que entrava em seu quarto na ponta dos pés.
- Desculpe querida, não queria te acordar. – Ela disse sem graça.
- Não se preocupe mãe, já tava acordada. – Lentamente, Cindy se sentou na cama. Sua mãe se sentou ao lado dela.
- O que foi filha? Você está meio tristonha... – Cindy deu um sorriso discreto ao perceber que sua mãe a conhecia perfeitamente bem.
- Não dá pra esconder nada de você não é mãe? – Cindy começou a falar com o olhar distante - Eu sempre olho pra teto quando acordo procurando um motivo que me faça querer saltar da cama e começar logo a viver o dia... Mas sempre chego a respostas como: “tem prova hoje” ou “tenho trabalho pra entregar”... – Cindy abaixou o olhar.
- Vocês jovens são muito estranhos. – Sua mãe deu um sorriso carinhoso. – Querem tudo pra ontem! A vida está toda a sua frente minha filha, e quando digo que você pode fazer dela o que quiser, não estou dizendo que o que você escolher nesse minuto já irá surgir efeito no próximo. Acredite em mim, um dia você vai se levantar, olhar o teto, se lembrar do que já fez, se lembrar do que ainda pode fazer e sorrir.
- Mas e se isso não acontecer. E se a minha vida for sem graça?
- Sua vida só irá ser sem graça se você permitir que ela seja. Você tem que se arriscar, pegar alguns caminhos que no começo parecerão loucura, mas seu instinto sempre vai te dizer o que fazer...
- Desculpe querida, não queria te acordar. – Ela disse sem graça.
- Não se preocupe mãe, já tava acordada. – Lentamente, Cindy se sentou na cama. Sua mãe se sentou ao lado dela.
- O que foi filha? Você está meio tristonha... – Cindy deu um sorriso discreto ao perceber que sua mãe a conhecia perfeitamente bem.
- Não dá pra esconder nada de você não é mãe? – Cindy começou a falar com o olhar distante - Eu sempre olho pra teto quando acordo procurando um motivo que me faça querer saltar da cama e começar logo a viver o dia... Mas sempre chego a respostas como: “tem prova hoje” ou “tenho trabalho pra entregar”... – Cindy abaixou o olhar.
- Vocês jovens são muito estranhos. – Sua mãe deu um sorriso carinhoso. – Querem tudo pra ontem! A vida está toda a sua frente minha filha, e quando digo que você pode fazer dela o que quiser, não estou dizendo que o que você escolher nesse minuto já irá surgir efeito no próximo. Acredite em mim, um dia você vai se levantar, olhar o teto, se lembrar do que já fez, se lembrar do que ainda pode fazer e sorrir.
- Mas e se isso não acontecer. E se a minha vida for sem graça?
- Sua vida só irá ser sem graça se você permitir que ela seja. Você tem que se arriscar, pegar alguns caminhos que no começo parecerão loucura, mas seu instinto sempre vai te dizer o que fazer...
- Eu só tenho medo de ter um instinto, sei lá... Meio zuado...
- Meio o que? – sua mãe riu – Não, filha. Ele não é. Você não admite, mas já fez muita coisa importante. – Cindy encarou sua mãe com uma expressão descrente.
- Tipo o que?
- Você nunca repetiu o ano na escola, por exemplo!
- Nossa! Mas que coisa maravilhosa, mereço uma medalha!
- Passou em uma universidade federal, fala inglês fluentemente... – a mãe de Cindy continuou a falar.
- Fala sério mãe!
- Estou falando muito sério minha filha! É por ter feito isso que você conseguiu a bolsa se intercâmbio que você tanto queria!
- Ah mãe... O quê? – Cindy olhou para sua mãe com os olhos de quem não tinha certeza sobre o que tivera acabado de ouvir. – O que você disse mãe? Você está brincando comigo?
Então a mãe de Cindy tirou do bolso do avental que usava uma carta e mostrou a filha. A filha pegou a carta como se ela pudesse se quebrar a qualquer momento. O envelope já estava aberto, ela só desdobrou o papel e leu:“É com grande satisfação que nós da University of California (UCLA), aceitamos sua inscrição para o programa de intercâmbio com duração de dois meses, para o curso de música. Desde já, agradecemos por escolher a nossa universidade. Seu curso terá início no dia 21 de Março deste ano. Caso seja do seu interesse continuar estudando em nossas dependências após o término de seu programa de intercâmbio será necessária a realização de outros exames...”
- Meio o que? – sua mãe riu – Não, filha. Ele não é. Você não admite, mas já fez muita coisa importante. – Cindy encarou sua mãe com uma expressão descrente.
- Tipo o que?
- Você nunca repetiu o ano na escola, por exemplo!
- Nossa! Mas que coisa maravilhosa, mereço uma medalha!
- Passou em uma universidade federal, fala inglês fluentemente... – a mãe de Cindy continuou a falar.
- Fala sério mãe!
- Estou falando muito sério minha filha! É por ter feito isso que você conseguiu a bolsa se intercâmbio que você tanto queria!
- Ah mãe... O quê? – Cindy olhou para sua mãe com os olhos de quem não tinha certeza sobre o que tivera acabado de ouvir. – O que você disse mãe? Você está brincando comigo?
Então a mãe de Cindy tirou do bolso do avental que usava uma carta e mostrou a filha. A filha pegou a carta como se ela pudesse se quebrar a qualquer momento. O envelope já estava aberto, ela só desdobrou o papel e leu:“É com grande satisfação que nós da University of California (UCLA), aceitamos sua inscrição para o programa de intercâmbio com duração de dois meses, para o curso de música. Desde já, agradecemos por escolher a nossa universidade. Seu curso terá início no dia 21 de Março deste ano. Caso seja do seu interesse continuar estudando em nossas dependências após o término de seu programa de intercâmbio será necessária a realização de outros exames...”
Cindy não terminou de ler a carta, suas lágrimas já embaçavam sua visão. Ela então deixou que as lágrimas caíssem e olhou para sua mãe. Um sorriso inevitável apareceu em seu rosto.
- Sabia que abrir a correspondência dos outros é crime?
- Mãe é mãe minha filha!
Elas sorriram e se abraçaram durante longos segundos. Até que a mãe de Cindy se levantou, enxugou as lágrimas e disse:
- Bom, agora que você já tem um motivo pra se levantar, faça isso, arrume sua cama e venha tomar o seu café.
Assim, o dia que tinha tudo pra ser só mais um número no calendário, passou a ser o dia que tomaria todos os próximos dias melhores.
- Desculpa mãe é que eu ainda não tinha pensado disso... – Então Cindy começou a fazer uma lista em voz alta – Preciso avisar pra reitoria da faculdade que fui aceita...
- Provavelmente eles já recebem um email e já sabem que você vai então você só tem que ligar pra acertar alguns detalhes... – Respondeu a mãe de Cindy.
- Ah valeu mãe. O que mais? Preciso comprar roupa, fazer as malas... E o meu passaporte, cadê?
- Está comigo é claro, e só te entrego quando você estiver entrando no avião, do contrário você é capaz de perdê-lo!
- Você tem razão... Com a minha sorte é melhor não abusar...
O resto do café da manhã ficou entre planos e reparos para a tão esperada viagem.
As duas semanas que separavam Cindy de sua viagem passaram para ela como se fossem vinte anos. Mas enfim, elas acabaram.
No aeroporto, Cindy se despediu de sua mãe (que lhe deu o passaporte e a passagem), de seu pai, de sua irmã e de seus avós. E então quando a porta de vidro se abriu revelando o enorme avião que, parado na pista, já recebia os primeiros passageiros, Cindy não pode conter o sorriso. Ela sentiu que a partir daquele momento, sua vida não poderia ser tão sem graça.
- Provavelmente eles já recebem um email e já sabem que você vai então você só tem que ligar pra acertar alguns detalhes... – Respondeu a mãe de Cindy.
- Ah valeu mãe. O que mais? Preciso comprar roupa, fazer as malas... E o meu passaporte, cadê?
- Está comigo é claro, e só te entrego quando você estiver entrando no avião, do contrário você é capaz de perdê-lo!
- Você tem razão... Com a minha sorte é melhor não abusar...
O resto do café da manhã ficou entre planos e reparos para a tão esperada viagem.
As duas semanas que separavam Cindy de sua viagem passaram para ela como se fossem vinte anos. Mas enfim, elas acabaram.
No aeroporto, Cindy se despediu de sua mãe (que lhe deu o passaporte e a passagem), de seu pai, de sua irmã e de seus avós. E então quando a porta de vidro se abriu revelando o enorme avião que, parado na pista, já recebia os primeiros passageiros, Cindy não pode conter o sorriso. Ela sentiu que a partir daquele momento, sua vida não poderia ser tão sem graça.
Escrita por @milafradee (@vidsforbieber)
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